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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Os guizos das coleiras

Usar coleiras com guizos sim ou não?
A principal razão que as pessoas invocam para a utilização de coleiras com guizo é conseguir aperceber-se facilmente da localização do gato. Quanto a esta preocupação é extremamente fácil chamar o seu gato quando não souber onde ele está: basta ter sempre em casa um pacote de biscoitos para gato e abaná-lo quando o quer chamar. Ele virá rapidamente e basta dar-lhe apenas um biscoito.

Outra das razões que as pessoas costumam invocar é a da preservação das aves, das quais os gatos são grandes predadores. No entanto já foram estudados grupos de gatos, com e sem guizos, e o número de aves capturadas é idêntico, o que leva a pensar que as aves estão mais atentas através da visão do que da audição. Por outro lado verificou-se que os roedores são alertados pelos sinos pelo que os gatos deixam de os capturar.

Mas o mais preocupante são as mudanças comportamentais que os sinos podem causar.
Podem parecer-nos inócuos mas para os sensíveis ouvidos dos gatos eles são profundamente irritantes.  Há casos relatados de gatos com depressão, gatos com patas presas a tentar tirar os sinos, gatos que recusam mover-se ou alimentar-se até que lhes seja retirado o guizo.

Alguns dirão que toda a vida tiveram gatos que usaram guizos sem nenhuma alteração comportamental mas o que na verdade lhes aconteceu foi que se subjugaram, deixaram de lutar :(

Os gatos são animais excecionais que adoram mover-se graciosa e silenciosamente  como todos os felinos. Não vá contra a sua natureza!

Pense para si: gostaria de andar o resto da vida com um sininho nos ouvidos?
Então quando comprar a próxima coleira retire de imediato o guizo!


sexta-feira, 28 de junho de 2013

Mitos sobre gatos

Os gatos devem ser dos animais sobre os quais existem mais mitos:

Os gatos caiem sempre de pé : nem sempre; primeiro eles necessitam de uma distância mínima de queda entre os 60 cm e os 70 cm para conseguirem dar a volta no ar; depois, se a altura de onde eles caírem for demasiado grande, poderão magoar-se seriamente. Temos também que ter em conta que os gatos com sobrepeso muitas vezes ao caírem batem com o abdómen no chão o que lhes poderá provocar lesões gravíssimas e muitas vezes fatais.

  • Os gatos são sempre meio-selvagens e nunca totalmente domesticados: esta é a maior das falsidades: há gatos selvagens, gatos semi-domesticados  e gatos totalmente domesticados e incapazes de sobreviverem por si próprios.

  • Os gatos não se apegam às pessoas mas apenas aos locais onde vivem  : os gatos são territoriais e a casa é o seu território. Quando lá estão sentem-se confiantes, relaxados, brincalhões. Mas falta, falta....sentem mesmo é daqueles que os acarinham; alguns deixam-se morrer quando já não têm os seus humanos. E nunca ouvi falar de nenhum que morresse por mudar de casa juntamente com a sua família.

Os gatos são traiçoeiros : nós humanos é que não sabemos interpretar os sinais que eles nos dão: o facto de um gato lhe dar turrinhas nas pernas,  fazer ronron quando o vê ou virar-se de barriga para cima pode não querer dizer: mexe-me. Pode apenas ser o primeiro dos sinais de que ele fica contente quando o vê e confia em si.



 
Não se consegue ensinar nada aos gatos:  claro que consegue: há gatos que se sentam ou deitam quando o dono o pede; outros vão sempre buscar a bolinha ou o ratinho que o dono atira e voltam a colocá-lo na mão do dono; outros respondem sempre que o dono os chama e tantas outras coisas que eles são capazes de fazer. Mas há uma diferença fundamental entre os gatos e os cães: os gatos, por norma, só o fazem quando lhes apetece. Se eles não estiverem com vontade vão ignorá-lo simplesmente


Mulheres grávidas não devem ter gatos por causa da toxoplasmose: este é um mito que tem levado ao abandono de milhares e milhares de gatos e o que é mais triste é que por vezes é a própria classe médica a induzir este erro. Então o que fariam todas as mulheres veterinárias? Deixariam de atender gatos durante a gravidez? Embora o gato possa ser hospedeiro do parasita  Toxoplasma Gondii   seria necessário que a mulher levasse à boca as  fezes de um gato infetado para ela própria ser infetada. Os cuidados básicos durante a gravidez passam só e apenas pelo uso de umas luvas quando se limpa o areão. Há inúmeros blogues e artigos na internet onde poderá verificar que isto é verdadeiro



sábado, 15 de junho de 2013

Brinquedos para gatos

Todos os que estão a ler este post e que têm gatos estarão a lembrar-se do entusiasmo que sentiram porque encontraram um brinquedo especial para o seu gato. Pensamos logo: ele vai adorar isto!
Pagamos, mandamos embrulhar, chegamos a casa , fazemos uma grande festa e entregamos-lhe o presente.
O que é que eles fazem 90% das vezes? Brincam durante um bom bocado com o embrulho, olham desconfiadamente para o brinquedo e ignoram-no!
Nós fazemos aquela voz de mimo, deitamo-nos no chão, mostramos como o brinquedo funciona e ele continua a ignorar!
Pode ser que amanhã ele já o queira!
Não, foi ficando e ele nunca lhe ligou nenhuma .
Então não devemos comprar brinquedos para os gatos?
Claro que sim, mas não são necessários brinquedos sofisticados.
Como os gatos devem dar sempre em ambiente protegido, também devem ter ao seu dispor objetos variados para brincar.
Quando o vir muito entusiasmado com alguma coisa, deixe-o brincar durante 3 ou 4 dias e depois  guarde o objeto e troque por outro. Assim eles não se enjoam de brincar sempre com as mesmas coisas.
O tipo de brinquedo interessante varia muito de gato para gato.
Uns adoram bolinhas de papel outros gostam mais de lápis e canetas, outros adoram pequenos ratinhos de felpo.
De um modo geral todos gostam de luzinhas de laser,  de brinquedos pendurados por fios e de caixas de cartão. Deve tentar-se estimular todos os sentidos deles e dar-lhes brinquedos que façam barulho, projetem luzes nas paredes, imitem  pequenos roedores, etc. Também se podem fazer ou comprar brinquedos com catnip que tem um cheiro muito atrativo para os gatos.
Mas não garantimos que eles vão ligar muito a todos eles :)











sábado, 25 de maio de 2013

As idas ao veterinário

Muitas pessoas queixam-se da dificuldade em levar os seus gatos ao veterinário e, em alguns casos, é realmente mais vantajoso chamar o veterinário a casa porque há gatos que:
  • logo que vêm os preparativos para saírem escondem-se por debaixo de móveis e por vezes é muito difícil tirá-los
  • outros ficam tão nervosos que fazem chichi e cocó na transportadora durante o trajeto
  • alguns miam tanto, tanto, tanto durante o caminho que nos fazem ficar verdadeiramente irritados e nervosos
  • há também aqueles que são uns amores em casa mas quando chegam ao veterinário arranham, bufam e mordem
  • e torna-se especialmente difícil quando existem vários gatos, porque levar todos ao mesmo tempo, por exemplo para a vacinação, é quase impossível
  • há também a desvantagem de quando levamos um gatinho ao veterinário e deixamos os outros em casa, quando regressamos, o que saía leva muitas bufadelas dos outros. Não gostam dos cheiros estranhos que ele traz.
No entanto quando existem exames mais especializados a fazer, ou cirurgias ou situações de emergência aí terá mesmo que deslocar o seu gatinho a um hospital veterinário. Coloque-o numa transportadora com um pequeno cobertor no fundo, prenda a transportadora ao cinto de segurança do carro se for este o meio de transporte e mantenha-a sempre à sombra. Se ele estiver muito nervoso tape a transportadora com um pano. Habitualmente eles acalmam-se!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Esterilização ou castração dos gatos

A sobrepopulação de gatos tem sido um dos maiores flagelos dos protetores de animais.
Os gatos começam a reproduzir-se a partir dos 6 meses. Um casal de gatos pode resultar em 12 novos  gatos ao fim do primeiro ano. Mas ao fim do  5º ano de vida já podem ser mais de 50000 gatos.

Quais são as dúvidas mais comuns em relação à esterilização/castração ?


-  Achar  que é contranatura. Ou seja que estamos a interferir onde não devemos. Mas quanto à natureza temos que pensar o seguinte: foi o Homem que interferiu na natureza dos gatos ao domesticá-los há milhares de anos. Aquilo que era um animal Silvestre ao sabor da natureza, da caça, dos predadores, foi transformado num animal de estimação. Por esse motivo os gatos foram levados para todos os continentes, as raças foram criadas e eles tentaram adaptar-se à vida com os humanos e ao ambiente muitas vezes hostil para eles. Neste momento há milhões e milhões de gatos errantes que deambulam pelas cidades, por vezes maltratados, atropelados e com fome. Milhares e milhares são abatidos pelos canis de todo o mundo e outros são largados cobardemente pelos seus donos. E ao contrário do que as pessoas pensam nem todos conseguem caçar em ambiente urbano.

- Humanizar a sexualidade dos gatos: já assistiram à cópula entre gatos? Não parece ser uma coisa muito agradável. A fêmea por vezes é violentamente mordida pelos machos e também acontece por vezes o contrário. Os gatos acasalam para terem filhos...e nada mais!

- Aumento de peso:  este é um problema que tem surgido em gatos e cães da mesma forma do que nos homens: demasiada alimentação e sedentarismo. Mesmo os gatos não esterilizados têm excesso de peso.
Mas se a esterilização levar a que um gato fique um pouco menos ativo três coisas devem ser feitas: -- após a cirurgia mudar para uma ração menos calórica preferencialmente sem cereais;
- não lhe dar comida em excesso: no saco da ração  leia a quantidade que lhe deve dar diariamente e dê-lhe ainda menos se também lhe der ração húmida;
-continuar a brincar diariamente com ele atirando objetos para ele  ir buscar, brincando com o apontador de laser, fazendo corridas. Deve também comprar um brinquedo dispensador de ração seca para que ele tenha que fazer actividade enquanto os biscoitinhos vão caindo. Pode também colocar a ração em sítios altos como armários, obrigando-o a saltar para lá quando quiser comer.

- Religião dos donos:  já fui abordada mais do que uma vez por pessoas que me disseram não poder castrar os seus animais porque a sua religião não o permite. Estes são sempre assuntos delicados mas devemos tentar que as pessoas compreendam que nenhuma religião deverá ser complacente com o problema da sobrepopulação de animais. A religião é dos donos e não dos animais. Por isso seja qual for a sua religião pense bem: e todos os gatinhos que forem nascendo têm 100% de certeza que irão ser bem tratados?

- doenças urinárias nos machos:  embora não haja ainda dados definitivos e haja estudos contraditórios, diz-se que a castração, especialmente se for feita muito cedo, pode levar a que os gatos desenvolvam Síndrome Urológica Felina . Os fabricantes de ração seca têm tido cada vez mais atenção a este problema e têm optimizado as rações para evitar que isto aconteça. Mas o que pode fazer para evitar isto?  Água, água, água! Água por toda a casa em tigelas e em fontes. Ração húmida porque tem maiores quantidades de agua e dê-lhe também frango cozido, peru cozido, atum em conserva ao natural, peixe cozido, etc.. Lembre-se que naturalmente eles alimentar-se-iam de outros animais e que estes são constituídos por 70  por cento de agua.

- recobro da cirurgia: nos machos é tão simples que habitualmente nem levam pontos e no dia seguinte já andam aos saltos. Nas fêmeas demora cerca de uma semana a cicatrização e costuma ser bastante segura e sem complicações. No entanto, é uma cirurgia, e, como em qualquer outra, existem riscos.

-preço : quando levamos um animal para casa já devemos contar com um acréscimo de despesas. Esta é uma delas mas é essencial. Poderá contactar uma associação ou protetora de animais para ver se lhe indicam um veterinário mais económico mas que mantenha as condições de segurança para fazer as cirurgias .

A esterilização tem também outras vantagens:
- não marcação de território com urina
- redução do risco de tumores mamários, cancro útero e piómetra nas gatas
- eliminação do risco tumores testiculares  nos machos
- menor risco de transmissão de doenças entre os gatos
- gatos menos agressivos uns com os outros

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Querido Freddy

Há quinze anos atrás, depois de muitas negociações familiares lá consegui ter um gatinho em casa. A única condição que me puseram foi que não fosse um siamês porque a fama deles não era grande coisa. Claro que no dia em que te fomos buscar embrulhado num paninho, apareceu-nos logo 500 g de um siamês com uns belos olhos azuis. Os primeiros tempos foram um bocadinho caóticos. Com 2 crianças pequenas, um emprego exigente de longas horas diárias chegar a casa e ter rolos de papel higiênico em milhões de pedacinhos pela casa toda, cadeirões e sofás destruídos pelas tuas unhas, miados de nos pôr os cabelos em pé . E as noites? O que ficou decidido é que não entrarias nos nossos quartos para dormir, uma vez que tinhas uma caminha própria cheia de mimos e cobertores num local quentinho da casa mas qual quê? Passadas 2 ou 3 semanas de miados dignos de qualquer tenor lá estavas tu todo repimpado no nosso quarto. Primeiro na tua caminha, depois aos nossos pés e passado muito pouco tempo dormias onde te apetecesse, inclusive dentro dos lençóis ou em cima da minha cabeça.Tantas peripécias. Houve o dia em que nos tocaram à campainha a dizer que estava um gato na rua e que parecia o nosso. O nosso? Não, o nosso não sai! Pois não, mas resolveu voar atrás de um passarinho talvez. Mas o susto foi só na altura da queda porque tentaste repetir muitas vezes a proeza. Nós é que passámos a ter muito mais cuidado. E a pobre da Minorca, a nossa tartaruguinha? Não lhe davas sossego e chegou a estar desaparecida vários dias porque ias ao aquário, punhas a patinha e lá vinha ela.. Rapidamente desfizeste alguns mitos em que eu própria acreditava um pouco: Adoravas água, fosse para beber, para apanhar uma chuvinha, para tomar duche connosco, etc, etc.. Vento é que nem pensar porque lá se ia o penteado.Cresceste juntamente com os nossos meninos e acho que eles até pensavam que tu eras um irmão um bocadito diferente. Quando por vezes tínhamos mais uma menina na nossa casa ficámos com medo que tivesses ciumes dela e estávamos sempre atentos. Mas fiquei plenamente descansada quando te vi a protegê-la quando alguém nos ia visitar.
O que tu adoravas as férias no Algarve. Portavas-te tão bem durante as horas de viagem. E quando chegavas à casa de férias só te faltava rir. Ficavas feliz, feliz...
Quando passei por uma cirurgia resolveste mudar-te dia e noite para ao pé de mim. Saltavas para cima da cama com grande gentileza como se soubesses que eu tinha uma ferida que me doeria se fosse pisada. E ajudaste-me muito na recuperação!
Quanto mais anos passavam mais nos ligávamos a ti.
Quando chegávamos estavas à nossa espera e viravas a barriguinha para cima, quando eu trabalhava no computador estavas atento em cima da impressora, quando nos sentávamos à mesa também querias uma cadeira e quando eu me ia deitar lá ias tu.
Com cada um de nós tinhas uma forma diferente de ser. Para uns eras um mimalhão, para outros eras uma criança brincalhona e para outros usavas todo o teu charme de conquistador.
A partir dos 12 anos passaste a dormir um bocado mais e percebemos que estavas a ficar velhote. Como qualquer velhote às vezes até resmungavas.
Mudámos de casa e pela primeira vez começaste a sair para o jardim. Como tu adoraste esta casa cheia de sol e estas saídas cheias de coisas e cheiros novos.
A partir dos 14 anos começaste a ver um bocadinho mal e por vezes os teus saltos não eram muito bem conseguidos. Mas como um verdadeiro gato mimado, se querias ir a algum sítio e estavas hesitante era só chamar-nos porque já todos tínhamos aprendido gatês.
Foi também aí, há cerca de 1 ano que me disseram que as tuas análises estavam todas normais mas como os valores indicativos de insuficiência renal , já estavam no limite do normal tiveste que começar a comer ração renal. Passados 6 meses, mais exames, ecografia aos rins e bexiga e tudo normal.
E tu continuavas a fazer as tuas brincadeiras de sempre, a comer bem, a sair todo contente..
Dia 08 de Março vieram as primeiras más notícias: os valores tinham aumentado e estavas com insuficiência renal crónica. Apesar da tua idade o prognóstico foi bom porque nunca tinhas tido nenhum sintoma da doença...
Mas repentinamente, e de forma fulminante deixaste de comer, enfraqueceste e nós tentámos tudo o que era possível.
Nenhum tratamento resultou e passada apenas uma semana partiste.
Meu querido Freddy é por isso que nunca poderei compreender as pessoas que deixam por algum motivo os seus amigos em canis, abrigos ou até na rua.
Porque vocês dão-nos tanto em troca de tão pouco.
E quanto nós não daríamos para ter mais uns dias contigo
Até um dia meu amor