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quinta-feira, 16 de maio de 2013

Apaixonados por gatos

Existem gatos especiais?
Ou ainda mais especiais,  porque na verdade todos eles são fantásticos?
Este domingo estive em trabalho voluntário e,  falando com outras colegas, percebi, que nós, os doidos por gatos, todos tivemos um em especial que mudou completamente a forma de os vermos.
Os gatos têm tantas coisas que nos levam a ser felino-dependentes:

- passam de uma total preguiça para uma intensa correria em segundos;

- são absolutamente loucos nas brincadeiras correndo, saltando perseguindo insectos ou luzes reflectidas nas paredes;

- adoram caixas, fitas, plantas, arvores de Natal e ignoram-nos totalmente quando os repreendemos.

- ficam repentinamente apaixonados por pessoas que visitam a nossa casa, olhando-as durante horas, saltando para cima delas, esfregando-se nas roupas e sapatos. Tive um gato que, quando cá dormiam crianças amigas dos meus filhos,  acabava por acordá-los de manhã porque saltava para cima das camas e ficava a olhar para eles ate acordarem. Alguns apanhavam grandes sustos.

- se não gostam de uma pessoa não aceitam comida nem festas dela. Esperam  que saiam e depois aparecem .

- detestam portas fechadas. Assim que as abrimos entram ou saiem que nem setas mas logo de seguida já lá não querem ficar.

- são quase sempre excessivos: dormem muito, correm muito e  se lhes apetece estar com o "dono" manifestam a sua afectividade de maneira intensa não o deixando mover-se. Dão-lhe turrinhas, amassam o pão, metem-se no meio das pernas, saltam -lhe para o colo não  o deixando fazer mais nada.

-o momento do "dono" ler ou escrever é a altura em que eles saltam para cima o teclado, deitam-se na pagina do livro que lemos .

- mas se lhe apetece fazer festas ao seu gato ou o chama para ele vir ao colo o mais natural é ele...ignorá-lo.

Mas, e o que dizer do tal gato especial que para além de tudo isto lhe transmite uma enorme serenidade e que lhe proporciona uma sintonia tal que até parece que os dois seres, um humano e outro felino se transformaram num só em determinados momentos?

Só quem já passou por isto compreenderá estas palavras!





segunda-feira, 23 de abril de 2012

Querido Freddy

Há quinze anos atrás, depois de muitas negociações familiares lá consegui ter um gatinho em casa. A única condição que me puseram foi que não fosse um siamês porque a fama deles não era grande coisa. Claro que no dia em que te fomos buscar embrulhado num paninho, apareceu-nos logo 500 g de um siamês com uns belos olhos azuis. Os primeiros tempos foram um bocadinho caóticos. Com 2 crianças pequenas, um emprego exigente de longas horas diárias chegar a casa e ter rolos de papel higiênico em milhões de pedacinhos pela casa toda, cadeirões e sofás destruídos pelas tuas unhas, miados de nos pôr os cabelos em pé . E as noites? O que ficou decidido é que não entrarias nos nossos quartos para dormir, uma vez que tinhas uma caminha própria cheia de mimos e cobertores num local quentinho da casa mas qual quê? Passadas 2 ou 3 semanas de miados dignos de qualquer tenor lá estavas tu todo repimpado no nosso quarto. Primeiro na tua caminha, depois aos nossos pés e passado muito pouco tempo dormias onde te apetecesse, inclusive dentro dos lençóis ou em cima da minha cabeça.Tantas peripécias. Houve o dia em que nos tocaram à campainha a dizer que estava um gato na rua e que parecia o nosso. O nosso? Não, o nosso não sai! Pois não, mas resolveu voar atrás de um passarinho talvez. Mas o susto foi só na altura da queda porque tentaste repetir muitas vezes a proeza. Nós é que passámos a ter muito mais cuidado. E a pobre da Minorca, a nossa tartaruguinha? Não lhe davas sossego e chegou a estar desaparecida vários dias porque ias ao aquário, punhas a patinha e lá vinha ela.. Rapidamente desfizeste alguns mitos em que eu própria acreditava um pouco: Adoravas água, fosse para beber, para apanhar uma chuvinha, para tomar duche connosco, etc, etc.. Vento é que nem pensar porque lá se ia o penteado.Cresceste juntamente com os nossos meninos e acho que eles até pensavam que tu eras um irmão um bocadito diferente. Quando por vezes tínhamos mais uma menina na nossa casa ficámos com medo que tivesses ciumes dela e estávamos sempre atentos. Mas fiquei plenamente descansada quando te vi a protegê-la quando alguém nos ia visitar.
O que tu adoravas as férias no Algarve. Portavas-te tão bem durante as horas de viagem. E quando chegavas à casa de férias só te faltava rir. Ficavas feliz, feliz...
Quando passei por uma cirurgia resolveste mudar-te dia e noite para ao pé de mim. Saltavas para cima da cama com grande gentileza como se soubesses que eu tinha uma ferida que me doeria se fosse pisada. E ajudaste-me muito na recuperação!
Quanto mais anos passavam mais nos ligávamos a ti.
Quando chegávamos estavas à nossa espera e viravas a barriguinha para cima, quando eu trabalhava no computador estavas atento em cima da impressora, quando nos sentávamos à mesa também querias uma cadeira e quando eu me ia deitar lá ias tu.
Com cada um de nós tinhas uma forma diferente de ser. Para uns eras um mimalhão, para outros eras uma criança brincalhona e para outros usavas todo o teu charme de conquistador.
A partir dos 12 anos passaste a dormir um bocado mais e percebemos que estavas a ficar velhote. Como qualquer velhote às vezes até resmungavas.
Mudámos de casa e pela primeira vez começaste a sair para o jardim. Como tu adoraste esta casa cheia de sol e estas saídas cheias de coisas e cheiros novos.
A partir dos 14 anos começaste a ver um bocadinho mal e por vezes os teus saltos não eram muito bem conseguidos. Mas como um verdadeiro gato mimado, se querias ir a algum sítio e estavas hesitante era só chamar-nos porque já todos tínhamos aprendido gatês.
Foi também aí, há cerca de 1 ano que me disseram que as tuas análises estavam todas normais mas como os valores indicativos de insuficiência renal , já estavam no limite do normal tiveste que começar a comer ração renal. Passados 6 meses, mais exames, ecografia aos rins e bexiga e tudo normal.
E tu continuavas a fazer as tuas brincadeiras de sempre, a comer bem, a sair todo contente..
Dia 08 de Março vieram as primeiras más notícias: os valores tinham aumentado e estavas com insuficiência renal crónica. Apesar da tua idade o prognóstico foi bom porque nunca tinhas tido nenhum sintoma da doença...
Mas repentinamente, e de forma fulminante deixaste de comer, enfraqueceste e nós tentámos tudo o que era possível.
Nenhum tratamento resultou e passada apenas uma semana partiste.
Meu querido Freddy é por isso que nunca poderei compreender as pessoas que deixam por algum motivo os seus amigos em canis, abrigos ou até na rua.
Porque vocês dão-nos tanto em troca de tão pouco.
E quanto nós não daríamos para ter mais uns dias contigo
Até um dia meu amor